O recente aumento no preço dos combustíveis no Amazonas reacendeu críticas ao modelo de abastecimento no estado e ao papel do Grupo Atem, atual controlador da Refinaria da Amazônia (Ream). Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e à alta do petróleo no mercado internacional, consumidores amazonenses voltam a enfrentar reajustes que já começam a pesar no bolso especialmente no interior.
O reajuste mais recente elevou em R$ 0,22 o preço do litro da gasolina na refinaria. Embora pareça um aumento pequeno na origem, o impacto nas bombas tende a ser bem maior, devido aos custos logísticos e à estrutura concentrada de distribuição. Em Manaus, o litro da gasolina saltou de cerca de R$ 6,90 para aproximadamente R$ 7,30 em poucos dias.
No interior do estado, onde a dependência do transporte fluvial e a baixa concorrência são fatores determinantes, o cenário é ainda mais preocupante. Municípios como Pauini, Apuí e Tabatinga já registram alguns dos preços mais altos do país. Em Pauini, por exemplo, o litro chegou a R$ 9,80, e há expectativa de que ultrapasse os R$ 12 caso novos reajustes ocorram.
Especialistas e entidades do setor apontam que a concentração da produção e distribuição nas mãos de um único grupo econômico contribui para ampliar os impactos desses aumentos. Desde a privatização da refinaria em 2021, o controle da produção regional de combustíveis passou a ser exercido pelo Grupo Atem, o que, segundo críticos, criou um ambiente de baixa concorrência no mercado amazonense.
Representantes do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas afirmam que o modelo atual favorece oscilações de preço mais intensas. Segundo a entidade, parte do combustível comercializado na região não é refinada localmente, mas adquirida já pronta no mercado internacional, o que torna o estado mais vulnerável às variações externas, como as causadas por conflitos geopolíticos.
A recente disparada do barril de petróleo, que ultrapassou os US$ 100 pela primeira vez desde 2022, reforça essa preocupação. Em pouco mais de duas semanas, o preço internacional saltou cerca de 49%, pressionando cadeias de abastecimento em diversos países.
No Amazonas, porém, o impacto tende a ser amplificado. Uma pesquisa nacional da ValeCard já apontava que os preços praticados em Manaus e nos municípios do interior apresentam, em média, diferença de até 64% em relação ao restante do país.
Para analistas, o momento expõe fragilidades estruturais do mercado regional de combustíveis. A combinação entre isolamento geográfico, logística complexa e concentração empresarial cria um ambiente em que aumentos globais rapidamente se transformam em reajustes significativos ao consumidor final.
Enquanto isso, motoristas, trabalhadores e pequenos empreendedores seguem lidando com um combustível cada vez mais caro e sem perspectivas claras de redução no curto prazo. A crise internacional pode explicar parte da alta, mas, para muitos especialistas, ela também evidencia a necessidade de discutir maior concorrência e transparência no mercado de combustíveis do Amazonas.
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