Após os questionamentos levantados sobre o vazamento de estireno na petroquímica Innova, no Distrito Industrial I, em Manaus, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) divulgou uma nota oficial esclarecendo qual é seu papel em relação às empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM).
No comunicado, a autarquia informou que acompanha o caso, manifestou solidariedade aos trabalhadores e demais pessoas atingidas e afirmou que solicitou informações detalhadas à Innova sobre as medidas de contenção adotadas e os possíveis impactos do incidente sobre o projeto industrial aprovado.
Entretanto, a nota deixa claro que a operação segura das instalações é de responsabilidade da própria empresa, conforme as licenças que possui. A Suframa destacou que sua função institucional é administrar os incentivos fiscais da Zona Franca, analisar projetos industriais e gerir os lotes de sua propriedade no Distrito Industrial.
A autarquia também ressaltou que a apuração das causas do vazamento, bem como dos impactos ambientais, sanitários e à saúde dos trabalhadores, cabe aos órgãos competentes, informando que acompanhará os resultados das investigações.
Apesar do esclarecimento, a manifestação da Suframa reacende um debate importante sobre a segurança das indústrias do Polo Industrial de Manaus. Embora a autarquia afirme que não é responsável pela operação das fábricas, o episódio levanta questionamentos sobre como é realizado o acompanhamento das empresas beneficiadas pelos incentivos da Zona Franca e se há mecanismos suficientes de integração entre os órgãos fiscalizadores para prevenir acidentes dessa natureza.
O caso também evidencia a necessidade de maior transparência na divulgação das informações à população. Moradores de diversas regiões da cidade relataram sentir o odor do estireno horas após o incidente, enquanto equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e demais órgãos continuavam monitorando a situação.
A própria Suframa reconhece, em sua nota, que o Distrito Industrial é um espaço de competências compartilhadas entre órgãos federais, estaduais e municipais. Diante disso, cresce a expectativa para que, além da apuração das causas do acidente, sejam apresentados os resultados das investigações, as responsabilidades de cada órgão e as medidas que serão adotadas para reduzir o risco de novos incidentes.
Mais do que esclarecer de quem é a competência legal, o episódio reforça uma cobrança da sociedade: quem fiscaliza, quem previne e quem responde quando um acidente dessa dimensão coloca toda uma cidade em estado de alerta?