A decisão de realizar a final do Campeonato Amazonense de 2026 no estádio Carlos Zamith, em Manaus, tem provocado forte reação entre torcedores, profissionais do esporte e parte da opinião pública. O confronto entre Nacional e Amazonas, marcado para o dia 21 de março, às 15h30, foi confirmado para o local após a indisponibilidade da Arena da Amazônia, que estará ocupada com um evento musical no mesmo fim de semana.
A escolha, no entanto, reacendeu um debate antigo sobre prioridades e planejamento no futebol amazonense. Para muitos torcedores, é difícil compreender como a partida mais importante do calendário estadual não será disputada no principal estádio do Amazonas, que já recebeu jogos de Copa do Mundo, Campeonato Brasileiro e competições internacionais.
Além disso, a alternativa escolhida também gera questionamentos. O Carlos Zamith foi construído originalmente como centro de treinamento para a Copa de 2014 e possui capacidade aproximada para 6,5 mil pessoas. Para muitos torcedores, a estrutura é considerada limitada para receber uma final que envolve dois dos clubes mais tradicionais do estado e que naturalmente atrai grande público.
Nas redes sociais e em debates sobre futebol local, a crítica mais recorrente é que a decisão ignora opções consideradas mais adequadas. Entre elas, o estádio Ismael Benigno, conhecido como Colina, que possui cerca de 10,4 mil lugares e carrega décadas de história no futebol amazonense.
Para parte da torcida, além de comportar mais público, a Colina teria simbolismo e estrutura mais condizentes com uma decisão estadual. O estádio já foi palco de momentos históricos e recebeu grandes nomes do futebol brasileiro ao longo das últimas décadas.
Outro ponto que gera preocupação diz respeito à segurança e às exigências legais previstas no Estatuto de Defesa do Torcedor. A legislação determina que estádios utilizados em competições oficiais devem possuir laudos atualizados de segurança, engenharia, prevenção contra incêndio, vigilância sanitária e controle rigoroso de capacidade de público.
Diante da repercussão do caso, especialistas apontam que órgãos de fiscalização podem acompanhar a realização da partida para garantir que todas as normas estejam sendo cumpridas. Entre eles estão o Ministério Público do Amazonas, o Corpo de Bombeiros Militar e entidades técnicas ligadas à engenharia estrutural.
O alerta se justifica principalmente porque finais de campeonato costumam gerar maior fluxo de torcedores, pressão nas entradas, concentração de público e necessidade de operação especial de segurança.
O Corpo de Bombeiros informou que o estádio possui Auto de Vistoria (AVCB), documento que atesta conformidade com normas de prevenção contra incêndio. Já o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas explicou que não realizou acompanhamento técnico específico do local para o evento, mas solicitou informações sobre os responsáveis técnicos e as Anotações de Responsabilidade Técnica relacionadas à estrutura.
Mesmo com essas garantias formais, o debate continua. Para muitos torcedores, a discussão vai além da burocracia de documentos. Trata-se de respeito ao torcedor, planejamento esportivo e valorização do próprio campeonato estadual.
A crítica mais simbólica talvez esteja no contraste entre possuir uma arena moderna, construída para a Copa do Mundo, e ver a decisão do principal torneio local acontecer em um espaço originalmente projetado como centro de treinamento.
Enquanto isso, a expectativa cresce para a final entre Nacional e Amazonas, mas acompanhada de uma pergunta que ecoa entre torcedores: se é a maior partida do futebol amazonense, por que ela não será disputada em um estádio à altura do evento?